segunda-feira, março 20, 2006

As Levadas

No sítio dos Lamaceiros, a 3 quilómetros da igreja do Santo da Serra, juntam-se as águas de diversas levadas, nomeadamente a da serra do Faial. Nesta freguesia existem ainda as levadas das Cruzinhas, Água de Alto e a das Queimadas.
Já em 1817, Paulo Dias de Almeida, na sua Descrição, que já transcrevemos, referia:
“É na extremidade desta ribeira (do Faial de) onde antigamente tiraram a grande levada do Ribeiro Frio, e que hoje apenas leva um terço da primeira quantidade. Os cortes das madeiras pelas rochas por onde esta levada passa, é que têm sido a causa das quebradas, e estas têm arruinado em muitas partes a levada. Se tentassem reedificar a mesma levada, e tornarem a reunir as águas perdidas, seria dispendioso, porém merece tudo pelo aumento que vai dar à cultura das freguesias por onde passa. Ela corre pelos altos das freguesias do Faial, do Porto da Cruz, alto de Santo António da Serra, e daqui pode ir a Santa Cruz, altos de Machico até ao Caniçal, onde têm muita necessidade de água, e por isso têm afrouxado a cultura em grande parte”.
Pouco tempo depois, em 1839, a Levada do Ribeiro Frio encontrava-se em reformulação. Saliente-se que, então esta área pertencia à freguesia do Faial, mas actualmente já pertence à de São Roque do Faial. Também na Ribeira da Laje, que tem seu começo na freguesia do Faial, encabeça uma levada, que rega terrenos numa vasta zona que se estende até Santa Cruz.
O Diário de Notícias de 25 de Junho de 1911 historiava da seguinte forma a levada do Faial:
“Posta de parte, relativamente à irrigação das freguesias de Santa Maria Maior, S. Gonçalo e Caniço, a levada dos accionistas, porque como o dinheiro não apareceu, a água não pode correr até cá e deixou-se ficar por Santa Cruz, foi elaborado por ordem do Governo um novo projecto que é propriamente da Levada da Serra do Faial, destinada a trazer ao Sul as águas da antiga levada da Fajã dos Vinháticos e de outras nascentes captáveis para este efeito”.
A obra servia para as irrigações do Faial e Santana tinha por base um trabalho do engenheiro Adriano Trigo, “com planta chorographica anexa”, como refere o articulista e partia do pressuposto que primeiro era necessário compensar as perdas que aquelas freguesias iam sofrer, e assim foi feito, tirando o lanço de S. Jorge que teve de encabeçar com a antiga levada da Fajã dos Vinháticos.
Em 1875 estava elaborado o projecto das obras e, em 28 de Agosto de 1901, foi inaugurado o lanço de S. Jorge. Ficaram pois, livres para o Estado, as nascentes da Serra do Faial e no ano seguinte, em Setembro, inaugurava-se também a entrada das águas da Serra do Faial nas três freguesias a que tinham sido destinadas.
A levada da Serra do Faial teve inicio no ano de 1877, levando por conseguinte um espaço de 28 anos para a sua realização. A parte nova desta levada abrange dois lanços: o das nascentes da Serra do Faial até à Ribeira das Lages, na extensão aproximada de 6 kilómetros e o da Camacha, que partindo do Santo da Serra vem ter ao caminho do Meio na extensão de 22 kilómetros e meio. O lanço do Juncal e Furado, intermediário destes dois, desde a ribeira das Lages até à Adufa Ellicot, que fica nas proximidades da ribeira de Santa Cruz, teve apenas de sofrer reparações, embora importantes, num trajecto que mede cerca de 19 kilómetros.
O projecto desta obra foi orçado em 140 contos de réis e, com o primeiro orçamento suplementar aprovado em 1888, aquela soma subiu a 200 contos. Em 1903, além destas importâncias havia a acrescentar mais a de quase 20 contos, chegando-se a um total de despesas no valor de 220 contos. A levada terminou a sua construção num custo de 273 contos.

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