segunda-feira, março 20, 2006

Incêndio e reconstrução da Matriz

Não temos especiais informações da matriz da freguesia do Faial ao longo do século XIX e mesmo nos inícios do século XX, salvo a agitação de que foi cenário em 1936 na chamada revolta do leite e que levou à prisão do padre César Teixeira da Fonte, como noutro local iremos escrever.
Em 14 de Abril de 1948, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda da Cova da Iria, visitou as freguesias do Concelho de Santana. No sítio do Poiso, limite do Concelho, aguardavam a Imagem, o então Presidente da Câmara Municipal de Santana, Sr. Porfírio Marques de Andrade, o Vice-Presidente Sr. Manuel Marques da Trindade e os Drs. João Auto Mendes e Assis Nascimento, diversas ou pessoas e individualidades do Concelho, os Párocos e muito povo. A visita da Imagem Peregrina deu lugar a grandes demonstrações de fé, o que prova o espírito fraternalmente cristão dos madeirenses, no escrever, alguns anos depois, de Manuel Ferreira Pio.Infelizmente um incêndio a 12 de Setembro de 1960, ocorrido pelas 21 horas e 45 minutos, destruiu quase totalmente todo o edifício, embora tenha sido possível salvar uma parte da boa talha dourada do altar mor dos meados do século XVIII, assim como o sacrário, imagens, quadros e alguns móveis, inclusivamente as janelas da sacristia, recolhidos na residência da viúva de Manuel de Sousa.
O incêndio teve origem no primeiro andar da antiga casa paroquial anexa à torre, ocorrendo após a realização do arraial (8 de Setembro), pelo que à época, como foi referido pela comunicação social, teria tido origem em alguma ponta de cigarro mal apagada e descuidadamente abandonada nas arrumações da festa. Também correu à época que havia sido um curto-circuito, motivado pela pouca prática ainda existente na utilização da electricidade, inaugurada somente dois antes nas freguesias do Faial, São Roque e Santana, em Novembro de 1957.
Por coincidência, quando se teria iniciado o fogo estava gente no adro, que não deu por nada. Foram os homens que colaboravam na arrecadação das iluminações da festa, que entretanto tinham ido jantar ao lado oposto, jantar preparado pelos próprios e, regressando, deram pelo fogo, no andar de cima. No entanto, nada havia a fazer, pois não tinham comunicação com o local onde deflagrava o fogo e a breve trecho, o mesmo propagava-se ao telhado do anexo e ao coro da igreja.
Ao incêndio ocorreram as corporações de bombeiros do Funchal e de Santa Cruz, mas chegaram duas horas depois de iniciado o incêndio e, dada a falta de água no local, a sua acção foi muito reduzida, não conseguindo sequer evitar a propagação do incêndio à residência paroquial.
Era então pároco do Faial o padre Florentino Augusto de Sá, natural de Gaula, acometido, logicamente, de profunda depressão com o desastre, pelo que foi necessário proceder à sua transferência, em Janeiro do ano seguinte, para a nova paróquia da Assomada, no Caniço. O novo pároco, o padre António Pestana Martinho, procedeu de imediato à reconstrução da matriz, aligeirando-se a fachada em relação ao que era.

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